segunda-feira, agosto 09, 2010

you got me thinking

Como eu queria ser provida da complexidade e profundidade dos poetas de antigamente. Saber colocar em palavras, ainda mais em poucas delas, um universo de ideias e conflitos e sentimentos e todas essas coisas que parecem ter morrido juntos com os antigos gênios. Mas eu não sou assim. Minhas palavras conflitos são uma poça d'água perto do oceano que aqueles homens escreveram. Ah, como eu queria dominar as palavras, como eu queria que as pessoas se sentissem encantadas por elas. Assim como eu me sinto.

Uma palavra vale mais do que mil imagens.

sexta-feira, agosto 06, 2010

feels like time's not on your side

É só que há tanto a ser feito e tão pouco tempo. Quero dizer, o tempo tem escorrido entre minhas mãos ansiosas como grãozinhos de areia. O tempo é tão, impiedosamente, diminuto pra tudo que, paradoxalmente, eu só consigo querer esperar que ele passe. E observar, esperando. Caí nas armadilhas da  minha impotência  e alguma prepotência perante ao senhor relógio, que torna as horas curtas e os dias longos, semanas, meses, não importa, afinal de contas.
A medida pro tempo, pro meu tempo, é o piscar de olhos.

Vê? Já está tudo diferente.

De novo.

Não tenho muito tempo
Tenho medo de ser um só
Tenho medo de só um
Alguém pra se lembrar
O amor ainda estava lá
Ainda estava lá

quarta-feira, agosto 04, 2010

Um adeus pra todo o meu lirismo de araque, porque eu tenho uma coisa a dizer que não da pra dizer de um jeito... poético (Bocage conseguiria)
EU ESTOU FODIDA.

Estou com um medodesgraçado de tudo dar errado. Porque não pode dar errado dessa vez porque... não vai ter outra chance. É eu fazer a coisa certa agora ou passar a vida toda frustrada e provavelmente num empreguinho de merda.
Desculpa, mas estou derrentendo meu cérebro.
EM COISAS INÚTEISSSSS!


vai dar tudo certo.
eu vou conseguir.
vai dar tudo certo.
eu vou conseguir.
vai dar tudo certo.
eu vou conseguir.
vai dar tudo certo.
eu vou conseguir.
vai dar tudo certo.
eu vou conseguir.

terça-feira, agosto 03, 2010

suddenly you're afraid...

Quando você me vir de olhos baixos, expressões estreitas e poucas palavras, quer dizer que pode se sentir livre para interpretar o oposto. A serenidade exterior é a mais infalível cúpula pro interior dilacerado que insiste em me acompanhar. Os olhos baixos mentem a visão exageradamente aberta que absorve, principalmente, as imagens invisíveis (você sabe que elas existem). As expressões apertadas fingem, descaradamente, a angústia que, de tão áspera, teria tomado conta do semblante se não fosse o caminho estreito por onde deixo as expressões fluírem.
Quanto à falta de palavras, não existe no - meu - mundo algo mais contraditório Quanto menos palavras escapam, mais se acumulam por dentro e enchem, enchem até poderem ser sentidas como um nó na garganta.

Tem sido tão difícil. E não falo da dificuldade das coisas, não. Tem sido difícil encontrar essas coisas.

Quando você me vir de olhos retos e com qualquer palavra em mãos, aí então, não há nada o que desvendar.


... and you don't even know what you're afraid of.

segunda-feira, agosto 02, 2010

how could you not now

É só que as palavras parecem em fugir totalmente quando tento não colocar um pouco de outra pessoa nelas. É como se eu não conseguisse dizer nada pra falar só de mim. Porque em mim, não existe só eu, entende o que quero dizer? Então eu apenas continuo escrevendo, sem nunca pensar em mim enquanto o faço. Reparei nisso: eu nunca estou pensando sobre mim quando escrevo alguma coisa. É sempre sobre uma outra pessoa. Se me pedissem pra escrever como outra pessoa se sente, ou como eu penso que sente, eu o faria sem problemas. Mas quando é sobre mim, só sobre mim eu não consigo. É difícil. E eu acabo me perdendo. Sempre me perco. O sentido, o significado, o propósito. Tudo se perde quando eu não posso falar de algo concreto. Porque os outros são concretos. Eu não. Pra mim, não. A única prova que eu tenho da minha existência são as mãos que eu vejo quando olho pra baixo. Fora isso, eu sou muito mais irreal e abstrata do que qualquer coisa ao meu redor. Nem um pouco sólida, nem um pouco firme. Nem quando eu tento me olhar de fora encontro sentido naquele reflexo de espelho.

The next stop isn't where you think it is

É uma questão de escolha. Escolhe-se com o que pode-se conviver e o que é insuportável. Toma-se uma decisão, pula-se no escuro. Aí é esperar o próximo passo, e então escolhe-se tudo de novo, e novas decisões e novos pulos. Aí aparece algo que muda suas escolhas, uma pessoa, uma ideia, não importa. E volta-se ao início onde não havia nada senão uma cabeça trabalhando mais rápido do que o aconselhável e dúvidas. Mas é sobre isso que a vida é, certo? Escolher. Escolher de novo. Errar. Deixar passar. Não poder voltar e ir embora. Eu escolhi ir embora dessa vez. Ir embora de mim. Não é fácil, mas antes sair de mim porque eu quero, do que precisar me expulsar de mim.

Eu quero mais é ser a escolha de alguém.

Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim

turn around,

Sempre olhou muito pra frente. Olhou tanto pra frente que, muitas vezes, esteve no limite de tropeçar entre os próprios pés. Esteve, na maior parte das vezes, buscando, com seus olhinhos míopes, um vislumbre do caminho certo a tomar. De tudo, era o que mais atormentara as noites pré-sono e devaneios cada vez mais constantes. Este talvez seja o único momento em que a palavra 'constante' possa ser escrita. E como sinto sua falta. Porque no resto... Quando se tem cem livros é fisicamente impossível equilibrá-los com precisão. Quando se tem cem pensamentos em mente...

When you get your eyes to be too much opened, that's when you become blind.